Indústria de caminhões

Emplacamentos de caminhões caem 21,1% no 1º trimestre, mas março reage

A indústria de caminhões começou 2026 em ritmo mais fraco, segundo os números divulgados pela Anfavea. No acumulado de janeiro a março, foram produzidas 25,7 mil unidades, ante 31,7 mil no mesmo período de 2025, uma queda de 18,9%. Os emplacamentos também recuaram no trimestre. De acordo com a entidade, 21,9 mil caminhões foram licenciados nos três primeiros meses de 2026, contra 27,7 mil em igual intervalo do ano passado, o que representa retração de 21,1%. Apesar do desempenho negativo no acumulado do ano, março trouxe sinais de recuperação na comparação com fevereiro.

A produção saltou de 7,8 mil unidades em fevereiro para 11,1 mil em março, alta de 42,8%. Os emplacamentos acompanharam esse movimento e passaram de 6,7 mil para 8,8 mil unidades no mesmo período, avanço de 31,9%. No mercado externo, o cenário no trimestre também foi de retração. As exportações de caminhões caíram 20,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Já na comparação mensal, março registrou forte alta: foram exportadas 2,4 mil unidades, contra 1,2 mil em fevereiro, crescimento de 108,8%. Os destinos das exportações brasileiras de caminhões no primeiro trimestre de 2026 concentraram-se em cinco mercados, que responderam por 79% do total embarcado, com 3.705 unidades.

A Argentina liderou o ranking, com 1.304 caminhões exportados e 28% de participação. Na sequência vieram Chile, com 828 unidades e 18%; Peru, com 761 e 16%; México, com 416 e 9%; e África do Sul, com 394 e 8%. No total, o Brasil exportou 4.716 caminhões no período. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, um dos destaques de março foi justamente o segmento de caminhões, que mostrou reação após meses de pressão. “No segmento de caminhões, tivemos agora um suspiro. Não foi ainda um respiro profundo, mas um pequeno suspiro”, afirmou. “Ainda é um cenário ruim, mas é menos pior, embora ainda seja de bastante preocupação”, acrescentou.

De acordo com a associação, a melhora observada em março tem relação com o lançamento do programa federal Move Brasil, que oferece juros reduzidos para a troca de caminhões. Ainda assim, o setor segue em alerta, já que o avanço mensal não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas no trimestre. Foto: divulgação